Desde criança fui um leitor incansável. Com 9 para 10 anos de idade, lia semanalmente os livros de faroeste que meu pai comprava. Esporadicamente ele também trazia algum livrinho de ficção científica. Todos, por terem histórias simples e de serem de formato pequeno, tornavam fácil o ato de leitura para uma criança naquela idade.
E aos 11 anos de idade, em 1976, meu pai chegou em casa com um livro diferente. Ao contrário do papel jornal e capa mole dos faroestes, este tinha capa dura e era impresso em papel de qualidade e o nome indicava que teria sequência: P1 Missão Stardust, de uma coleção chamada de Perry Rhodan.
Perry Rhodan é uma série alemã, criada pelos escritores Karl-Herbert Scheer e Walter Ernsting (também conhecido pelo pseudônimo de Clark Darlton), publicada semanal e ininterruptamente desde 08/09/1961. Em comemoração aos 48 anos da série, a edição alemã lançou em 11/09/2009, o volume 2508, com o título “Unternehmen Stardust-System”. Traduzido, este nome fica “Missão Sistema Stardust”, um trocadilho/homenagem ao nome do primeiro volume, “Missão Stardust”.
“Esta série se caracteriza pelo subgênero de ficção científica conhecido como space opera, ou seja, de aventura épica espacial, a série conta a história futura da Humanidade a partir de vários pontos de vista diferentes. Apesar de cada episódio da série poder ser lido separadamente, cada conjunto de cem episódios conta uma grande história – composta por várias subtramas – que é muito apreciada se conhecida em sua totalidade.
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Em cada volume é contada numa pequena parte da história da Humanidade, a qual se subdivide em ciclos de cinquenta ou cem volumes. Cada ciclo retrata uma época específica, na qual os terranos têm que lidar com ameaças à sua existência provenientes de suas incursões às regiões inexploradas da Via-Láctea e a outras galáxias.
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O foco principal das histórias são as aventuras de Perry Rhodan e seus leais companheiros, que receberam a imortalidade relativa graças ao superser extraterrestre conhecido como Aquilo.”
Texto extraído do artigo publicado pela Editora SSPG nas páginas 129-132 do Volume 1 da nova edição de Perry Rhodan no Brasil, em Junho de 2001.
Mas voltando a minha história. Passei a ler semanalmente os livros que meu pai trazia. Li até o volume 99, final do segundo ciclo. Quando meu pai veio a falecer.
Durante anos fiquei com vontade de conhecer o desenrolar da saga e a reencontrei mais tarde, quando comecei a trabalhar.
Nessa época, cerca de 5 a 6 anos depois, a série estava em sua segunda edição, depois de uma pequena interrupção. Assim descobri que não tinha perdido muito do fio da história. Passei então a comprar novamente a série na banca de revista e ao mesmo tempo completava o período faltante comprando diretamente da editora, os volumes que faltavam. Deste modo, completei minha coleção.
Essa segunda edição foi até o volume 536, quando foi interrompida em definitivo pela editora que a publicava, a Ediouro.
Alguns fãs, se reuniram e criaram um fã-clube, o Perry Rhodan Fã-Clube Brasil (PRFCB), como forma de se mobilizarem na tentativa de ter a série publicada novamente no Brasil.
Mas eu estava sozinho, em uma cidade do interior e acabei não sabendo de nada disso.
Na década de 1990 vim morar em Curitiba e surgiu a internet. Uma forma rápida de pesquisar informações.
Em 1997 entrei na rede e acabei descobrindo vários sites de fãs brasileiros da série, o PRFCB e a lista de discussão no YahooGroups.
Em 1998, como forma de apoiar a luta para trazer de volta a série para o Brasil, criei um site sobre a série, que dei o nome de “Die Basis Home Page”. Durante muito tempo, a Die Basis foi uma das cinco páginas em português com conteúdo apenas sobre Perry Rhodan.
As outras páginas do quinteto eram a Stardust Page, a Good Hope Page, A Nave da Eternidade e a página do PRFCB. Haviam outras páginas com conteúdo sobre Perry Rhodan junto a conteúdo geral sobre ficção científica, como a Estação Espacial OldMan e a Base Espacial Antares.
Como o custo de um gravador de CD era muito caro naquela época e a Die Basis tinha mais de 25 MB de dados, não tinha backup dos arquivos. Somente após os gravadores baratearem é que fiz backup do site.
O backup mais antigo que encontrei é de novembro de 2000, em seguida outubro de 2001 e o último é de novembro de 2002, quando então eu já estava cansado de manter a página de modo contínuo desde 1998.
Captura de tela da Die Basis, via backups restaurados.
Visual da Die Basis Home Page em Nov 2000 – recuperado de um backup
Visual da Die Basis Home Page em Out 2001 – recuperado de um backup
Visual da Die Basis Home Page em Nov 2002 – recuperado de um backup
No entanto em junho de 2001, finalmente a série tinha voltado a ser publicada no Brasil, pela editora SSPG, do Rodrigo de Lélis, que era o autor do site Stardust Page. Assinei a nova série, mas descobri que já não era a mesma coisa. O tempo tinha passado e a vida, a família e o trabalho cobravam outras prioridades.
Segui fiel a nova edição até quase o final, quando ela foi descontinuada novamente.
Durante todo esse tempo, a coleção me acompanhou, a qual reli algumas vezes, mas finalmente, com a venda do apartamento e compra do sobrado, decidi me desfazer dela. No início deste anos, separei a coleção em seus ciclos e os coloquei a venda no Mercado Livre. E em questão de dois meses, vendi todos os ciclos.
Não me arrendo em ter vendido, primeiro porque não é porque vendi que vou deixar de gostar da série e em segundo lugar porque sei que alguem está lendo os livrinhos que guardei com carinho por muitos anos. Os mais antigos, estavam comigo a mais de três décadas.
Na hora de dormir, tenho a mania de ficar imaginando coisas, como forma de esvaziar a mente e pegar no sono de modo mais fácil e tranquilo e na grande maioria das vezes, são imagens e situação da série que eu visualizo.
Sei que a série vai me acompanhar pelo resto da minha vida.