Aproveitando o tempo livre das férias, li dois livros inteiros e terminei um terceiro, cuja leitura estava se arrastando a meses.
Este último é Bucaneiros da América de John Esquemeling, adaptado por Eduardo San Martin (Artes e Ofícios Editora, 2007). O livro entrega o que promete, uma narrativa clássica de histórias de piratas, supostamente escrito por um participante da pirataria. Bem adaptado pelo jornalista Eduardo San Martin, mas que infelizmente não consegue fazer milagre com o texto que foi escrito originalmente em 1684. A leitura até que começou boa, atraindo pela curiosidade, mas conforme se avança no texto, as limitações narrativas começaram a irritar, tornando a leitura difícil.
O segundo livro, cuja compra comentei anteriormente aqui no blog foi A Identidade Bourne, de Robert Ludlum (Editora Rocco, 2000), escrito originalmente em 1998. Só para constar, o filme é de 2002. O livro conta a história de Jason Bourne de um modo muito diferente do que o filme, mas isso eu já esperava, pois até hoje nunca vi um filme que fizesse justiça ao livro em que se baseou e a lista de filmes que vi, baseados em livros que li é bem grande. Infelizmente isso é a norma na indústria do cinema. Até concordo que muitas vezes é difícil adaptar corretamente um livro, mas algumas coisas são exageradas. Como exemplo, no filme, Bourne apronta a maior confusão na embaixada americana em Zurique, mas no livro em nem chega perto da embaixada. É obvio que colocaram essa cena apenas para manter a ação no filme, para não perder o ritmo.
Mas voltando ao livro, exatamente por ser muito diferente do filme, a leitura é cativante, primeiro por se tentar comparar com o filme e ao mesmo tempo se tentar encontrar o fio da meada da história, que tem várias mudanças de rumo a medida que novos personagens entram na trama e conforme Bourne vai descobrindo fatos de sua vida antes da perda da memória. Mas como essas lembranças vem aos poucos, algumas interpretações são feitas dentro de contextos errados, o que acarreta mudanças profundas nas ações dele. O livro vale a leitura. Nos próximos meses pretendo comprar os demais livros sobre Bourne, apesar de que tenho certeza que estes se afastam ainda mais dos filmes, visto que alguns fatos são totalmente conflitantes, exemplo do Conklin, assassinado no final do primeiro filme mas vivinho no final do livro, enquanto que o Abbot foi assassinato no meio do livro mas se suicidou no segundo filme.
O terceiro livro foi uma surpresa, pois fui numa livraria comprar um livro para a faculdade da mãe do meu filho mais velho e eles tinha uma promoção, 10% de desconto se comprasse dois livros, então resolvi comprar um para mim. Passeando pelas estantes, uma lombada me chamou a atenção, parecendo um papel velho enfeitado com uma cruz de malta vermelha. Uma breve olhada no título remeteu a onda de livros que veio depois de O Código Da Vinci de Dan Brown, todos com a mesma temática, um segredo oculto que pode destruir a igreja. O texto na contra-capa indicava isso claramente: “…os dois iniciam a busca de um segredo que, se revelado, abalará os pilares fundamentais do cristianismo“. Mas a mesma contra-capa me chamou a atenção para algumas diferenças, como o fato de que o roubo inicial foi realizado no Metropolitan Museum de Nova York, por quatro mascarados, montados a cavalo e vestidos de templários. Isso é algo bem criativo!
Assim resolvi arriscar e comprei o livro O Último Templário de Raymond Khoury (Ediouro Publicações, 2006). Lendo o livro, as semelhanças de enredo com O Código Da Vinci são claras. Lá estão o mocinho, um agente do FBI e a mocinha, uma arqueóloga. Um religioso assassino. Um cardeal que deseja manter algo em segredo. Viagens para locais históricos. Um documento que provaria que Jesus era um homem comum. Segredos escondidos em locais históricos, agora na Turquia.
No entanto, apesar dessas semelhanças, o autor consegue prender a atenção na história. Parte ele consegue com um recurso bem interessante, capítulos curtos, são 85 em 475 páginas, o que faz com que a história se desenrole com rapidez ao tempo em que cria o desejo de ler o próximo, para saber o que acontecerá em seguida. Então, apesar da grande semelhança de roteiro com O Código Da Vinci, a leitura deste livro vale a pena.
Uma curiosidade sobre o autor e o livro acima com relação ao tema de adaptações de livros para o cinema. Nas referências ao escritor é informado que este é o primeiro romance dele e que ele trabalha como roteirista em Londres e Los Angeles, então fui pesquisar sobre ele no IMDB e lá consta o seguinte: “Writer: 1. “The Last Templar” ( 2008 ) TV mini-series (pre-production) (novel) (screenplay)“. Ou seja, vem ai uma mini-série para a TV, baseada no livro e roteirizada pelo próprio autor. Mesmo considerando que já mudaram o sobrenome do agente do FBI, será que vai ficar fiel ao original?
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